
Estamos em épocas de promessas baratas, de propostas vagas, de eleição.
Ouvimos aquelas músicas chulas que passam boa imagem, de honestidade e vontade de mudança, enquanto o que realmente acontece, é apenas um golpe de individualismo do candidato.
Ano passado, presenciamos revolta do nosso povo. "O gigante acordou". Foi lindo, toda população, gente de todas as raças, todos os tipos, etnias, unidos contra a corrupção e injustiça que sofremos. Mas, diga-me caro leitor, de que vale tal revolta nas ruas, se em dias de eleição, votamos no que tem a piada mais engraçada? ou a candidata com menos roupa? De que adianta depois jogar toda culpa na presidente, se nem ao menos se sabe quem é o deputado, vereador ou prefeito de nossa cidade? Não analisam propostas, não verificam quem estão colocando para coordenar nossa cidade e depois jogam toda a culpa na presidente? Não em defesa dela, mas quem esta lá, roubando as verbas que deveriam ser utilizadas para saúde, educação e cultura pro nosso povo, fomos nós mesmos. Como pode uma população eleger para o cargo de deputado alguém com slogan de campanha "Eu não sei o que um deputado faz, mas quando eu descobrir eu te conto"?
Nossa politica é piada, mas confesso que não julgo de um todo a população. Em meus anos de estudo na rede pública, sempre notei que somos ensinados a ser leigos, a ser bobos, afinal, porque o governo, prefeitura e afins iriam querer pessoas com senso crítico o bastante para saber de toda a ladainha que ocorre na câmara? Pra que, se podemos ter uma sociedade burra a ponto de votar em alguém por uma música engraçada, afinal, alguém com música "Vote certo no Alan Neto ♫" com certeza deve ser alguém com capacidade para nos representar. Sem ao menos pesquisar seu passado, questionar ou analisar propostas, mas que democracia é essa que temos em nosso País?
O pior é ver o desinteresse dos jovens que preferem não exercer seu direito de votar. Tal gesto mostra sua reprovação à política. Na reportagem do jornal “O Globo” que trata do assunto, publicada em 20 de junho de 2014, alguns justificam dizendo que não acreditam em candidatos que não venham do povo e, também, que não confiam em ninguém. Daí não quererem tirar o título de eleitor. O desinteresse é “primo irmão” da reprovação, que, atualmente, é uma tendência global. Políticos e política no mundo inteiro estão sendo mal avaliados. As razões podem ser estruturais (faltam informação, transparência, exemplos) e conjunturais (economia, inflação, emprego, escândalos, desconfiança etc.). Independentemente dos motivos, as pesquisas em diversos países apontam: a política e os políticos estão sendo malvistos.
Sem cuidado, interesse e participação dentro do marco democrático, não há garantia de que a evolução da política prosseguirá de forma clara. E, ainda, que regimes democráticos não venham a ser diretamente ameaçados por surtos autoritários. Mesmo que tais ameaças estejam disfarçadas e sejam parasitas do próprio regime democrático, como as que vemos hoje no Brasil.
Pense!

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