No manual imaginário de como ser humano diz que devemos fingir importarmos com os outros – sim fingir, porque humano de verdade é egoísta. Acho que essa historia é herança daquelas baboseiras de igreja de “amor ao próximo” ou alguma regra moral pra tentar deixar a sociedade mais bonitinha. Para agir igual humano e não ser chamado de monstro você tem a obrigação de se importar com qualquer tragédia que aconteça, ajudar e falar mal de quem não quer ajudar. Se muitas pessoas morrerem, você tem que fingir que ficou ficar triste, mesmo que você não conheça ninguém que morreu e que a morte seja uma das coisas mais naturais do mundo. É aquela historia de que você pode ser/ter/fazer o que quiser desde que o que você mostre para os outros se encaixe nas regras do manual imaginário de como ser humano, caso contrario, você será uma péssima pessoa, um mau-carater, um infeliz. Se fulano assumir que não se importa com os outros, mesmo ele nunca tendo feito mal para alguém, ele será chamado de sem-coração. As pessoas são tão egoístas que não querem saber de como você é bom, elas só querem saber do que você fez que as beneficiou, falar que não quer ajudar em alguma campanha é mostrar que você não está disposto a se prejudicar em prol do outro – seja perdendo tempo ou dinheiro que poderia ser usado com você mesmo – e isso sim irrita as pessoas. Pra elas tudo tem que ser voltado a elas e se alguém quiser ser franco o suficiente e assumir que é egoísta, ele é errado, é monstro, é repugnante. O caráter pregado pela sociedade não passa de formalidades que devemos seguir em publico. A sinceridade só deve existir se ela for boa, senão, pode mentir a vontade.
O que resta é decidir se você quer ser humano, ético ou ter caráter.
“Envergonhar-se da sua imoralidade: eis um degrau da escada em cujo fim as pessoas acabam por se envergonhar também da sua moralidade” Nietzsche
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