terça-feira, 31 de março de 2015

Mais um dia vivi e mais um dia passei me perguntando “pra que viver?” Tudo bem que eu sei que o sentido da vida é matar as suas vontades mas o problema que eu vejo é justamente nisso. Pra que acabar com as suas vontades se no final vamos morrer mesmo?

O pior é que nunca saberemos quando será esse final e muito menos quantos desejos concluiremos até lá. Podemos morrer atropelados por um ônibus, engasgados com uma ervilha ou com um ataque fulminante durante o sexo. Tudo acaba antes de todas as vontades serem satisfeitas, então, qual a diferença de morrer agora ou daqui dez anos?

Eu sei que meus textos sempre chegam ao assunto morte ou são sobre ela mas o que eu poderia fazer se é só nisso que eu penso?

Você poderia falar para eu me matar logo, ótima solução na verdade. Só que eu te responderia com uma frase que li em algum Tumblr suicida por ai: “Eu não tenho medo da morte, eu tenho medo do que pode acontecer se eu falhar”.

A ideia de suicidio é fascinante, o problema são as possiveis falhas. Se todos aqueles que já pensaram em suicidio um dia, tivessem a certeza de que não iria doer ou sofrer, metade da população não existiria.

Ah se eu tomasse todos os comprimidos da minha casa com a certeza que eu não sobreviveria e tivesse sequelas… Ou que se pulasse de um prédio eu não sofreria o impacto…

Desculpa se eu o desapontei por te dar a ilusão que no final deste texto você teria a resposta para o sentido da vida. Eu não tenho essa resposta até porque eu acredito que não exista uma.

Eu posso não ter te dado um motivo para viver mas eu posso te dar dois para não se matar: 1. Pode doer 2. Pode falhar. E se eu bem conheço o ser humano (e a mim mesma) o medo dessas duas coisas será suficiente para nos não nos matarmos.

Então, viva a covardia humana, graças a ela, nos ainda temos coragem de viver.

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