Trágico não é morrer atropelado, esquartejado ou num acidente de avião; Trágico é morrer por falta de amor. Não estou falando daquele amor entre duas pessoas ou aquele amor de família, estou falando de morrer por falta de amor pela vida. Triste é se sentir um fracasso, não na concepção dos outros e sim na sua. O seu pior inimigo, é você mesmo. É fácil fugir dos outros, impossível fugir de si mesmo.
Quando os seus sentimentos bons não existem e o ruins fazem com que você sinta que a vida não faz sentido e, não há esperanças para mudar o que você esta sentido, a sua única vontade é morrer. Talvez, isso acarrete a sua morte, uma fatalidade para os mais céticos ou a atração da força do pensamento para outros. Talvez o desejo de morrer seja tanto, que as suas células sintam e começam a se matar ou você use de substancias que façam com que isso aconteça. Mas isso não é triste, se o desejo é de morre e isso acontece, deveria ser considerado uma vitoria, uma alegria – sórdida mas ainda sim alegria – pela pessoa ter conseguido o que queria. Lamentar pelas coisas que a pessoa deixou de fazer é só mais um ato de egoísmo que poderiam ser facilmente traduzidas para um “ela poderia ter feito muito mais coisas para mim”.
Se algum dia você se perguntou como era viver sem ser amado por ninguém, nem por si mesmo: Imagine aqueles filmes de terror com demônios, tudo queimando, angustia, dor, gritos, destruição. Agora coloque toda essa imaginação, dentro de uma pessoa, essa é a sua resposta. Um pouco da lembrança da época gloriosa – se é que existiu uma – e o desejo de mudar, apenas desejo, pois não existe uma solução. Perdeu-se tudo, o que resta, não tem importância. Para os outros, parece que a pessoa tem motivos para viver ou ser feliz mas para ela não. Ai esta o erro, não se deve julgar o sentido, ou a falta de sentido, da vida de alguém segundo o padrão que aplicamos a nossa própria vida.*
Quando se encontra alguém nessa situação, é fácil falar para a pessoa achar pelo o que viver ou até mesmo manda-la procurar um psicólogo. Mas e se a pessoa não quiser? A ideia do “pra que viver?” pode estar tão impregnada na cabeça dela, que tudo não fará sentido. A coisa ruim que vive dentro dela acabará com qualquer alegria que a pessoa possa ter ao gritar “é tudo ilusão, pare de ser idiota”. Acabar com isso é o que ela mais quer mas o pensamento de que não vai conseguir mudar é maior, a falta de vontade de mudar, é maior ainda.
Morrer não é ruim e nem lamentar a morte é bom. As vezes, morrer é apenas um acontecimento ou uma fuga. Não podemos perguntar a um morto se ele ficou mais feliz depois que morreu mas podemos deduzir que sim se usarmos a frase “pior que ta não fica”. Ninguém tem certeza do que acontecerá depois da morte, então para que sentirmos mal em relação a ela? Vamos comemora-la, vamos festejar a morte. A pior das hipóteses é que iremos ao inferno e, se isso acontecer, antes viver em um inferno, do que ser um inferno.
* Frase do livro Mozart – Sociologia de um gênio
Nenhum comentário:
Postar um comentário