Eu sou vítima da confiança tola, depositada nos cantos mascarados. Eu sou a poesia que tenta se redimir. Sou a letra atrapalhada na agenda, marcando palavras soltas e pensamentos deliberados. Eu sou como a lareira esquecida. Sou aquilo que você não vê. Sou a bebida que você se recusou a beber. O livro que você não comprou. Sou uma mercadoria sem prazo, sem demanda. Eu sou minha alma em desconforto, mas também sou a catarse.
Sou uma palavra sem tradução, esperando entender a mim mesma, como uma bússola em busca de seu destino. Meu caminha sou eu quem faço, mesmo sem dinheiro ou passagem de volta. Como o som de uma chaleira, anuncio minha chegada. Mesmo neurótica, minha razão é a minha única companheira. Andamos de mãos dadas, acompanhadas do caos. Eu sou amante do caos; Nele vivo, dele não me retiro; Dele desfaço, nele me refaço.
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